Visando fortalecer o trabalho em rede, cerca de 30 secretarias estaduais e municipais de educação, selecionados entre os 660 onde atua o Instituto Ayrton Senna, entre elas, Licinio de Almeida, que representou a Bahia no evento, se reuniram no dia 21 de Novembro do corrente ano em São Paulo sob a tutela do Instituto Ayrton Senna para um trabalho coletivo de fortalecimento da Rede de Gestores e planejamento para as ações do próximo ano.

 

A Rede de Gestores é um espaço colaborativo, que conta com ações presenciais e à distância para que todos possam compartilhar percepções, conhecer de forma mais aprofundada os desafios comuns e reconhecer possibilidades ampliadas para superá-los. Também busca ser um ambiente para produção e disseminação de conhecimentos e em iniciativas inovadoras para explorar temas em que os parceiros sintam mais necessidade de avançar, sempre buscando conectar a educação com as principais demandas do século 21.

 

 

Para 2018, foram levantadas demandas como o apoio para a implementação da Base Nacional Comum Curricular, o compartilhamento de novas metodologias de ensino, possibilidades de formação sobre competências socioemocionais e educação integral para os professores das redes de ensino, o aperfeiçoamento de práticas de acompanhamento sobre a aprendizagem dos estudantes, entre outras.

 

Buscando aprimorar o trabalho em rede no próximo ano, os participantes também discutiram possibilidades de implementar uma lógica de planejamento conjunta e novas ações para o próprio funcionamento da rede, estratégias para compartilhar com os educadores os aprendizados de todo o grupo e formas de sensibilização para a importância de políticas educacionais. Uma das contribuições do Instituto nesse sentido será o envio de boletins informativos para cada secretaria, com leituras, interpretações e sugestões de ação a partir dos principais indicadores de educação de cada realidade local, com objetivo de fomentar ações de planejamento e intervenções mais eficientes.

 

Segundo a gerente executiva de Gestão de Políticas de Aprendizagem do Instituto Ayrton Senna, e uma das idealizadoras da Rede de Gestores, Inês Miskalo, a partir da troca de experiências e desenvolvimento de planos comuns no combate aos principais desafios educacionais, que são discutidos na rede, cada membro realiza as ideias de acordo com sua realidade, seu ponto de partida e os objetivos do seu município ou Estado.

 

  

“Pensar numa rede é pensar em um trabalho de equipe, um circuito em que cada um pode avançar a partir do que o outro já avançou, porque todos partilham seus conhecimentos e sabedorias, transmitem para suas equipes e também para outras secretarias, é algo coletivo e que se espalha”, definiu Inês. “O Instituto busca contribuir com o aporte de evidências sobre como podemos caminhar mais rápido para superar os desafios que temos em Educação”, completou.

 

O evento teve início com uma apresentação do  economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, Ricardo Paes de Barros, sobre o desenvolvimento de crianças entre 6 e 12 anos de idade. “Nessa fase, o cérebro da criança está se desenvolvendo em ritmo acelerado, e se ela tiver o ambiente adequado para aprender, pode desenvolver uma série de competências, mas é preciso oferecer boas oportunidades para isso”, defendeu Paes de Barros. Segundo ele, as crianças dessa faixa etária estão se tornando cada vez mais conscientes de si mesmas e dos outros, ampliam a capacidade de pensamento abstrato e de pensamento crítico, desenvolvem novos sentimentos e novos hábitos, formam novos tipos de relacionamentos com adultos e com colegas, estão em busca de autonomia.

 

“É extremamente possível desenvolver essas crianças de forma plena, olhando tanto para o cognitivo quanto para o socioemocional. Nesse momento, a pior coisa que um professor pode fazer é tratar todos os alunos como se fossem iguais, a escola tem que se preparar para acolher e contribuir com essa janela de oportunidades de desenvolvimento”, afirmou o economista, que também apresentou evidências sobre a importância de haver programas estruturados e explícitos para o desenvolvimento socioemocional de estudante nas escolas, e também exemplos de como propostas curriculares podem contemplar esses aspectos.

 

Na sequência, os membros da Rede de Gestores foram convidados para a oficina de construção participativa das macro ações do grupo. Além de compartilhar dados sobre a atuação de rede em 2017 – ano em que 60% dos membros da rede afirmaram ter utilizado em sua realidade alguma prática compartilhada no grupo – os participantes também fizeram uma análise qualitativa sobre a importância de integrar a rede. A maioria apontou a transformação de práticas e hábitos e o fortalecimento da equipe gestora das secretarias de Educação como principais benefícios.